Durante a audiência, o ministro não hesitou em criticar o sistema atual, perguntando como o Estado poderia evitar que incidentes financeiros, como aqueles relacionados a organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), voltem a ocorrer. Ele expressou sua perplexidade em relação a supostas fraudes notáveis que aparentemente passaram despercebidas pelos órgãos de controle. “Por que esse sistema não funcionou em caso de fundos que são usados para lavar dinheiro?,” questionou o ministro, sinalizando a gravidade da situação.
Rogério Antônio Lucca, secretário-executivo do Banco Central, defendeu a coordenação entre o BC e a CVM, afirmando que existe um acordo de cooperação que permite a troca de informações e a identificação de irregularidades. Segundo Lucca, ambos os órgãos realizam reuniões trimestrais para discutir questões relevantes. No entanto, Dino salientou a importância de que, independentemente do convênio existente, há uma obrigação legal para que cada órgão notifique o outro sempre que identificar irregularidades.
O ministro também fez uma analogia provocativa ao mencionar “um elefante pintado de azul desfilando na Esplanada”, insinuando que as fraudes são tão visíveis que deveriam ter sido percebidas por todos os setores responsáveis. “Tanta coisa absurda. A minha indagação é: ninguém viu? O elefante é grande, está pintado de azul e está desfilando na frente de todo mundo,” afirmou, demonstrando sua frustração.
Além disso, Dino alertou para os danos que as falhas de fiscalização no mercado financeiro provocam nos consumidores, especialmente ao mencionar os recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ele destacou que quando o FGC desembolsa quantias significativas para ressarcir vítimas de fraudes, esses custos acabam sendo repassados a toda a sociedade. “Quando o FGC desembolsa R$ 40 bilhões ou R$ 50 bilhões, em última análise, alguém pagará essa conta,” concluiu, enfatizando a relevância de uma supervisão financeira mais rigorosa e eficaz.