JUSTIÇA – STF Inicia Julgamento sobre Anulação da Absolvição de Empresário Acusado de Estupro de Influenciadora Mariana Ferrer após Constrangimento em Audiência.

Na última quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu início ao julgamento do pedido de anulação do processo que resultou na absolvição do empresário André de Camargo Aranha, réu em um caso de estupro envolvendo a influenciadora Mariana Ferrer. O incidente, que remonta a 2018, ocorreu na boate Café de La Musique, em Florianópolis e gerou repercussões significativas ao longo dos anos, especialmente nas redes sociais.

O recurso que chegou ao STF foi solicitado pela defesa de Mariana, que argumenta que as humilhações a que ela foi submetida durante a audiência de instrução têm caráter suficiente para justificar a anulação da decisão que absolveu o réu. Durante o processo, Mariana foi ouvida na condição de vítima, enfrentando uma série de perguntas e provocações que a colocaram em uma situação de constrangimento público, exacerbada pela conduta do advogado de defesa. Ele questionou, de maneira agressiva, questões sobre suas roupas e sua vida sexual, um tratamento que gerou indignação e repulsa na sociedade.

A sessão de julgamento realizada na quarta-feira se restringiu às sustentações orais das partes envolvidas no caso, e a continuidade do processo está agendada para esta quinta-feira, quando os ministros, liderados pelo relator Alexandre de Moraes, irão emitir seus votos.

Durante as alegações, o advogado de Mariana, Júlio Cesar Ferreira da Fonseca, destacou a gravidade das cenas da audiência, afirmando que a influenciadora foi “humilhada”. Ele criticou o que chamou de tratamento indigno que ela sofreu no tribunal e reforçou que a estratégia do advogado do réu visava desqualificar a vítima ao exibir fotos que eram, segundo ele, de caráter pessoal e não relevantes para o debate jurídico.

Por outro lado, a defesa de Aranha, representada pela advogada Dora Cavalcanti, pleiteou a manutenção da absolvição. Ela afirmou que os argumentos que fundamentaram a decisão inicial eram robustos e que o resultado da audiência foi fruto de uma investigação minuciosa e cuidadosa.

Além das implicações imediatas do julgamento, o caso de Mariana Ferrer teve impactos significativos na legislação brasileira. Em novembro de 2021, foi sancionada a Lei 14.245, que estipula penalidades para aqueles que desrespeitam a dignidade de vítimas de violência sexual durante os processos legais. Em 2024, o STF também estabeleceu a proibição de desqualificações de vítimas em audiências e interrogatórios, marcando um passo importante no combate à violência e à vitimização em casos de crimes sexuais.

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