JUSTIÇA – STF decreta prisão de general por obstrução de Justiça: tentativa de interferir em delação de ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

Na manhã deste sábado (14), o Supremo Tribunal Federal (STF) decretou a prisão do general Walter Braga Netto por tentativa de obstrução de Justiça. A ação foi fundamentada pela tentativa do general de obter detalhes da delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, para a Polícia Federal em setembro do ano passado.

Segundo informações prestadas pela Polícia Federal, houve contatos de Braga Netto com o pai de Mauro Cid, o general Mauro César Lourena Cid, com o intuito de obter dados sigilosos, controlar informações repassadas à investigação e manter informados os demais integrantes da organização criminosa. O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi responsável por assinar a decretação da prisão.

Além disso, a investigação apontou que, na operação “Tempus Veritatis”, papeis encontrados na mesa do coronel Flávio Botelho Peregrino, assessor de Braga Netto, continham perguntas e respostas sobre a delação de Mauro Cid. O próprio Cid relatou à PF sobre as tentativas do general e outros intermediários de obter informações sobre o que ele havia falado.

Durante a audiência no dia 21 de novembro, Mauro Cid também informou sobre o financiamento das ações de forças especiais por parte de Braga Netto, incluindo o repasse de dinheiro em uma sacola de vinho ao Major Rafael de Oliveira. A PF confirmou a compra de celular e carregamentos de chip com pagamentos em espécie em um estabelecimento em Brasília.

A equipe da Agência Brasil está tentando contato com a defesa de Braga Netto para obter mais informações sobre o caso. A prisão do general representa mais um capítulo na série de investigações sobre possíveis crimes ligados a figuras importantes do cenário político nacional.

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