O julgamento, que ocorre em formato virtual e teve início em dezembro do ano passado, foi finalizado na mesma data em que o entendimento foi estabelecido. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, defendeu a independência entre as esferas de responsabilização relacionadas a crimes eleitorais e aos atos de improbidade administrativa. Isso significa que a Justiça Comum terá a competência de julgar as situações que envolvem a desonestidade em relação à gestão pública, mesmo quando essas questões também atingem o âmbito eleitoral.
Historicamente, atos de improbidade administrativa são analisados pela Justiça Civil, enquanto casos de caixa dois são submetidos à Justiça Eleitoral. A proposta apresentada por Moraes sugere que essa dupla responsabilização se baseia na necessidade de um tratamento diferenciado para os ilícitos, que podem ser cometidos em diversas instâncias — civil, penal e político-administrativa.
A análise do caso não passou despercebida e teve o apoio de outros ministros, incluindo Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, André Mendonça, Dias Toffoli, Edson Fachin, Luiz Fux, Flávio Dino e Gilmar Mendes, que embora tenha apoiado o relator, fez ressalvas em sua manifestação. Esse amplo apoio é um sinal claro de que a Corte entende a gravidade da prática de caixa dois e a necessidade de punições rigorosas para manter a integridade do sistema político brasileiro.
A decisão do STF representa um passo significativo na luta contra a corrupção e busca garantir mais transparência nas eleições, refletindo a crescente demanda da sociedade por responsabilização e ética na política. Ao estabelecer essa conexão entre as esferas penal e civil, o Supremo pode influenciar a forma como campanhas eleitorais são conduzidas no Brasil, potencialmente desencorajando a utilização de recursos não declarados.
