JUSTIÇA – STF autoriza hacker Walter Delgatti a cumprir pena em regime semiaberto após conduta positiva na prisão e apoio da Procuradoria-Geral da República.

Na manhã desta segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu uma decisão que permite ao hacker Walter Delgatti Neto cumprir o restante de sua pena em regime semiaberto. A medida foi tomada em resposta a um pedido formulado pelos advogados de Delgatti, que argumentaram que ele já havia cumprido mais de 20% da sentença de oito anos e três meses imposta pela Primeira Turma do STF em maio do ano anterior.

Walter Delgatti foi condenado por crimes graves, incluindo a invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a inserção de documentos fraudulentos, entre eles um mandado de prisão e uma ordem de quebra de sigilo bancário contra Alexandre de Moraes. Esse caso não só destacava a vulnerabilidade das instituições jurídicas, como também tinha repercussões significativas no cenário político, culminando na condenação da ex-deputada federal Carla Zambelli a dez anos de prisão por ter ordenado a prática desses crimes.

Desde agosto de 2023, Delgatti estava encarcerado em regime fechado. Em um desdobramento recente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favorável à progressão de regime do hacker, citando seu bom comportamento durante o período em que esteve preso. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enfatizou que o reeducando tinha cumprido, à época, mais de um ano e 11 meses de sua pena, o que justifica a solicitação de mudança para o regime semiaberto.

É importante ressaltar que, em sua decisão, Moraes alertou que, embora Delgatti tenha direito à progressão, ele pode retorno ao regime fechado caso seja condenado em um novo processo ou pratique outro crime doloso. Atualmente, o hacker enfrenta um novo processo relacionado à invasão das contas pessoais de figuras públicas, como o ex-juiz federal Sergio Moro e procuradores da República no aplicativo Telegram, onde teria vazado conteúdos privados obtidos de forma ilegal. Embora tenha recebido uma sentença inicial de 20 anos por esse caso, Delgatti ainda não começou a cumprir a pena em virtude de pendências nos recursos.

A decisão de Moraes, portanto, marca mais um capítulo na controversa trajetória judicial de Delgatti, que continua a influenciar ou ser afetado por questões tanto jurídicas quanto políticas em um cenário repleto de tensões.

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