Durante a sessão da comissão, a senadora ressaltou que essa decisão impede que a CPMI utilize qualquer informação referente a Vasques e completa anula todo o processo de investigação que já durava meses. Eliziane ainda argumentou que, caso decisões como essa se tornem frequentes, elas acabariam por inviabilizar o próprio instrumento das Comissões Parlamentares de Inquérito.
Diante disso, a relatora pediu que o ministro submeta sua decisão monocrática ao Plenário da Corte e também solicitou que sejam encontrados remédios constitucionais para que essa situação não se repita. Ela enfatizou a importância de se estabelecerem regras claras sobre os poderes das CPIs, sugerindo que os presidentes da Câmara e do Senado ingressem com uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no STF.
Já o deputado federal Arthur Maia, presidente da CPMI, afirmou que não cabe a ele fazer juízo de valor sobre a decisão do ministro, porém, sugeriu que seja feita uma ADPF para definir as regras para os poderes das CPIs. Ele ressaltou a importância de se estabelecer com clareza quais são os limites do Supremo Tribunal para estabelecer regras para as comissões.
Por outro lado, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR), da oposição, elogiou a decisão do ministro Nunes Marques. Para ele, a comissão tem utilizado as quebras de sigilo de forma política, em busca de provas ou indícios que ainda não foram revelados. Ele argumentou que essa decisão era esperada e veio de forma correta.
Vale lembrar que a PRF sob a gestão de Silvinei Vasques foi acusada de tentar interferir nas eleições presidenciais de 2022, aumentando a fiscalização em locais onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva obteve mais votos. Vasques nega as acusações e já foi ouvido pela CPMI em junho. Ele também foi preso em agosto sob suspeita de tentar interferir nas eleições, o que levou a relatora Eliziane Gama a pedir sua reconvocação e a realização de uma acareação com policiais.
