Justiça realiza audiência sobre morte de mulher trans agredida por funcionários de pastelaria em Belo Horizonte; defesa pede revogação de prisão preventiva.

Belo Horizonte — A Justiça de Minas Gerais promoveu, nesta quinta-feira, uma audiência de instrução no 1º Tribunal do Júri Sumariante do Fórum Lafayette, dando sequência ao processo que apura a morte da mulher trans Alice Martins Alves, de 33 anos, supostamente agredida por funcionários de uma pastelaria. O caso, que gerou ampla repercussão pública, gira em torno dos eventos ocorridos na noite de 23 de outubro, quando Alice foi brutalmente atacada após deixar o estabelecimento sem pagar uma pequena conta.

Durante a audiência, foram ouvidas apenas três testemunhas: uma de acusação e duas de defesa, enquanto as demais foram dispensadas. Em seguida, os réus, identificados como Arthur e Gustavo, foram interrogados. Durante sua participação, realizada por videoconferência, Arthur alegou que tanto ele quanto Gustavo seguiram até Alice para cobrar um valor de R$ 22. Entretanto, ele negou qualquer envolvimento em agressões, atribuindo os ferimentos da vítima a uma queda causada por sua embriaguez.

Gustavo, por sua vez, afirmou que era novo no emprego e não conhecia Alice. Ele declarou seguir orientações do gerente do local para a cobrança da dívida. Ambos insistiram na narrativa de que a vítima se deitou no chão e pediu socorro, alegando que seu desequilíbrio no salto causou a queda. Em meio a essas declarações, a defesa de Arthur requereu a revogação de sua prisão preventiva, e a juíza abriu um período de 24 horas para que a promotoria se manifestasse, além de determinar diligências adicionais à delegacia.

O que torna o caso ainda mais significativo são os detalhes sobre a morte de Alice, que se deu após 17 dias internada em estado grave, em razão de complicações como choque séptico após sofrer lesões severas, incluindo fraturas nas costelas e perfuração intestinal. A família de Alice relatou que ela enfrentava preconceito constante pela sua identidade de gênero, e essa história de discriminação pesou na hesitação da família em denunciar o crime.

Diante de toda a dor e indignação que esse caso representa, a audiência de instrução de hoje foi um passo crucial para esclarecer os eventos que levaram à morte de Alice e preparar o caminho para a próxima fase do julgamento, que promete continuar a atrair atenção substancial da sociedade.

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