JUSTIÇA – Psol Aciona STF Contra “Gratificação Faroeste” do Rio, Considerada Incentivo à Violência Policial e Suposta Ilegalidade na Criação de Bonificação.

Na última terça-feira, o Diretório Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à polêmica gratificação conhecida como “gratificação faroeste”. Este bônus de produtividade, instituído pelo governo do estado do Rio de Janeiro, recompensa policiais civis que se destacam em atividades que incluem a letalidade policial, gerando sérias preocupações sobre a legalidade e a moralidade de tal incentivo.

A figura do ministro Alexandre de Moraes foi designada para relatar o caso, devido à conexão temática com a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que já abordava a questão da letalidade policial nas favelas cariocas. O Psol pleiteia, através de um pedido de liminar, a suspensão imediata da gratificação, alegando que a medida é “inconstitucional na forma e no conteúdo”. Para o partido, o bônus representa um incentivo financeiro à violência policial, sinalizando um claro desvio de propósito que pode agravar a situação da segurança pública no estado.

A Lei Estadual nº 11.003/2025, que autorizou a criação da gratificação, foi aprovada em outubro do mesmo ano. Ela propõe bonificações que variam de 10% a 150% do salário dos policiais, com critérios que incluem a “neutralização de criminosos” e a apreensão de armamentos pesados. Embora o governador Cláudio Castro tenha vetado essa parte da lei devido à falta de previsão orçamentária, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) derrubou o veto, permitindo que a gratificação entrasse em vigor.

Organizações da sociedade civil e órgãos de defesa dos direitos humanos, como a Defensoria Pública da União (DPU), têm se manifestado contra a legalidade da gratificação. Recentemente, a DPU divulgou uma nota técnica ressaltando que a terminologia utilizada na lei, especialmente o termo “neutralização”, é vaga e representa uma violação da dignidade da pessoa humana. A ação levantada pelo Psol destaca um debate crucial sobre a balança entre a segurança pública e os direitos humanos, questionando se é adequado premiar a letalidade policial em um estado onde a violência e a insegurança são problemas crônicos. Assim, a decisão do STF poderá ter implicações significativas para a política de segurança pública no Brasil, especialmente no que diz respeito ao respeito pela vida e à legitimidade das ações policiais.

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