O Ministério Público havia solicitado o arquivamento do caso em fevereiro deste ano, com o argumento de que o policial agiu em legítima defesa. Em sua manifestação, o promotor Lucas de Mello Schaefer defendeu que a ação do policial foi justificada, já que Ngange estava portando uma barra de ferro e a agrediu, o que poderia ter colocado em risco a integridade do agente de segurança. A posição do promotor provocou descontentamento, sendo considerada incoerente por diversos setores da sociedade.
Ngange Mbaye foi abordado pelos policiais enquanto resistia à apreensão de suas mercadorias, num momento que se tornou decisivo e culminou na ação letal. A repercussão do caso levou a ministra de Integração Africana e Negócios Estrangeiros do Senegal, Yassine Fall, a exigir explicações das autoridades brasileiras. A ONG Horizon Sans Frontières classificou o incidente como um “crime contra um cidadão senegalês”, enquanto protestos e manifestações, inclusive internacionais, pediam justiça e denunciavam a violência policial.
O fato ocorreu no contexto da Operação Delegada, um convênio entre a prefeitura de São Paulo e o governo do estado que permite a atuação de policiais militares fora de serviço em ações de fiscalização do comércio ambulante. A reabertura da investigação, assim, representa um passo importante para que se revisite esse triste episódio e busque respostas para as muitas questões que ele levantou, tanto sobre a violência policial quanto sobre a proteção de estrangeiros em situações vulneráveis no Brasil.
Entidades de direitos humanos e do movimento negro também se mobilizaram, levando o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, um desdobramento que reflete a seriedade com que a sociedade civil está tratando a questão da violência policial e a proteção de cidadãos em situação de vulnerabilidade. A expectativa é que, com a nova investigação, haja um aprofundamento das análises sobre os procedimentos policiais e as consequências de suas ações em contextos de abordagem a grupos marginalizados.
