Além de Cunha, um sócio da UPBus também foi detido novamente. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que ambos são investigados por envolvimento em uma organização criminosa, sendo acusados de lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas. O Ministério Público, insatisfeito com a decisão de soltura anterior, interpôs um recurso, resultando na nova prisão.
A Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024, tem como objetivo desarticular um complexo esquema de lavagem de recursos associados ao tráfico de drogas e outros crimes. De acordo com investigações, os membros do PCC utilizavam a exploração dos serviços de transporte público para mascarar a origem ilegal de seus lucros. Essa estratégia incluía a injeção de recursos na UPBus, uma prática que, segundo o MP, teria ultrapassado R$ 20 milhões entre 2014 e 2024. Os recursos foram inicialmente direcionados a uma cooperativa de transporte, que mais tarde se transformou na UPBus, e as pessoas envolvidas estão ligadas ao quadro societário da empresa.
Em fevereiro deste ano, a prefeitura de São Paulo decidiu retirar a UPBus do sistema de transporte urbano, transferindo a concessão para a empresa Alfa RodoBus. No mesmo dia em que a Operação Fim da Linha foi lançada, o governo municipal também anunciou que uma intervenção seria realizada na gestão das linhas anteriormente operadas pela UPBus.
A situação levanta questões sobre a integridade do setor de transporte público e o impacto das organizações criminosas na economia local. A repercussão da nova prisão de Cunha e seu sócio é significativa, especialmente em um momento em que o sistema de transporte urbano está passando por importantes mudanças. A busca por transparência e eficiência na gestão do transporte público se torna cada vez mais urgente, à medida que mais detalhes sobre a conexão entre o PCC e a operadora de ônibus são descobertos.
Ainda não foi possível contatar os advogados dos detidos para comentários sobre as novas prisões. A expectativa agora se volta para os desdobramentos desse caso e a resposta das autoridades em relação ao problema estrutural das ligações entre empresas e atividades criminosas.