JUSTIÇA – Polícia Federal Recupera Tocheiros Sacros da Igreja de Santa Luzia Usados Como Abajures em Fazenda do Interior do Rio de Janeiro

Na última quarta-feira, a Polícia Federal do Brasil fez um importante trabalho de restituição ao patrimônio cultural do país ao recuperar e devolver duas peças sacras históricas. Os itens, que haviam sido furtados da Igreja da Irmandade da Virgem e Mártir Santa Luzia, localizada na zona central do Rio de Janeiro, foram encontrados em uma fazenda em Vassouras, no interior do estado. Curiosamente, esses tocheiros estavam sendo utilizados como abajures, o que gerou preocupações sobre o estado de conservação dessas relíquias.

A investigação da Polícia Federal teve início após uma denúncia que indicou onde as peças estavam. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou uma visita à propriedade e confirmou que os objetos eram, de fato, parte do conjunto que compunha o retábulo do consistório da Igreja de Santa Luzia, um local que é considerado patrimônio tombado. Após essa verificação, a Polícia Federal prosseguiu com um inquérito, conduzindo perícias e investigações detalhadas que estabeleceram a importância histórica, artística e cultural dos tocheiros, culminando na sua apreensão e posterior devolução ao local de origem.

A Igreja de Santa Luzia, que data de 1752, tem uma rica história ligada à formação da cidade do Rio de Janeiro. A construção da igreja original ocorreu em um local estratégico, entre a antiga Praia de Santa Luzia e o Morro do Castelo. A estrutura, que passou por reconstruções significativas ao longo dos séculos, vivenciou transformações urbanas desde o século XVIII, quando as águas da Baía de Guanabara chegavam quase até suas portas. O Morro do Castelo, um marco histórico da cidade, foi demolido em 1922 em função de projetos de modernização no centro urbano.

Santa Luzia é reverenciada como a padroeira dos olhos, e sua devoção está presente em muitas tradições católicas, especialmente aquelas que pedem ajuda na cura de doenças oculares e cegueira. A restituição desses tocheiros reafirma a importância da preservação do patrimônio cultural e a vigilância constante para proteger a história e a identidade da comunidade.

Sair da versão mobile