JUSTIÇA – Polícia Federal receberá 9 mil vídeos de operação no Rio que resultou em mais de 120 mortes; perícia deve levar até três anos para análise completa.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro teve um papel central em uma operação polêmica que resultou em um alto número de fatalidades. Em um balanço recente, foram coletados cerca de 9 mil vídeos provenientes de 504 câmeras corporais dos agentes envolvidos na chamada Operação Contenção, realizada no ano passado. Essa ação, que teve como alvo a organização criminosa Comando Vermelho, resultou na morte de mais de 120 indivíduos, além de quatro policiais.

Essas imagens, que capturam momentos críticos da operação, foram enviadas à Polícia Federal (PF) após uma ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que é o relator do caso. A solicitação de envio ocorre em um contexto em que a integridade das gravações é de suma importância para esclarecer os acontecimentos durante a operação.

Em uma recente solicitação, a PF pediu ao ministro que as gravações sejam fornecidas em mídia física, preservando o formato original para garantir que elas possam ser verificadas de maneira adequada. A corporação também destacou a necessidade de que trechos específicos, que são do interesse da análise, sejam identificados de forma clara. Isso se justifica pelo fato de que, sem essa triagem, o processo pericial pode se estender por um período estimado de até três anos.

A polícia estima que o total de gravações a ser analisado soma cerca de 4.500 horas, um volume significativo que, considerando a disponibilidade de apenas 10 peritos criminais federais, pode resultar em anos de trabalho.

No último mês, a determinação de Moraes para que o governo do estado do Rio de Janeiro enviasse as imagens à PF foi um passo importante em um processo conhecido como Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635. Essa ação, que tramita no STF, já resultou em uma série de medidas com o intuito de reduzir a letalidade em operações policiais em comunidades da capital fluminense.

As consequências da operação e a análise das gravações podem oferecer uma nova perspectiva sobre a atuação das forças de segurança e sua relação com o combate ao crime organizado no Rio.

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