Em março deste ano, Moraes havia determinado que tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil deveriam enviar à PF as gravações da operação, com a intenção de que a corporação fosse a responsável pela perícia das imagens. Entretanto, segundo o ofício do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, as gravações da Polícia Militar ainda não foram recebidas, um dado alarmante, já que a PM teve um efetivo significativamente maior durante a ação, e, consequentemente, um número maior de câmeras de gravação.
Rodrigues enfatizou que qualquer acervo audiovisual contínua pendente, o que pode impactar negativamente a análise das circunstâncias em que a operação foi conduzida. O diretor requereu ainda um prazo estendido para a completa perícia dos materiais que já foram enviados pela Polícia Civil, explicando que essa análise levará ao menos 90 dias, considerando a quantidade de cerca de 400 horas de gravações a serem examinadas. A equipe de 10 peritos federais já está mobilizada para a tarefa, mas a complexidade do material torna impraticável cumprir um prazo de 15 dias, como determinado anteriormente.
Esse processo de investigação se insere em um contexto mais amplo de apuração sobre a legalidade da operação dentro do âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n° 635, conhecida como ADPF das Favelas. Através dessa arguição, o STF já impôs diversas medidas para mitigar a letalidade em operações policiais nas comunidades cariocas. A falta de transparência e a apuração de responsabilidades nesses eventos policiais são assuntos centrais e delicados, exigindo rigor e compromisso das autoridades envolvidas na investigação.
