JUSTIÇA – “Plantão Judiciário do Rio registra 47% de processos relacionados a medidas protetivas durante recesso, evidenciando crise na proteção às mulheres contra violência.”

Durante o recesso de final de ano, quase a metade dos processos tratados pelo Plantão Judiciário na cidade do Rio de Janeiro esteve relacionada a medidas protetivas estabelecidas pela Lei Maria da Penha. Entre as 18h do dia 19 de dezembro de 2025 e as 11h do dia 6 de janeiro deste ano, foram despachados um total de 4.027 processos na capital fluminense, com as medidas protetivas correspondendo a impressionantes 47% do total.

Além das demandas relacionadas ao combate à violência doméstica, foram registradas diversas outras solicitações, incluindo autorizações de viagem para crianças e adolescentes, internamentos hospitalares, alvarás de sepultamento, bem como mandados de busca e apreensão de menores, mandados de prisão e alvarás de soltura. O Plantão também tratou de habeas corpus e representações para prisões cautelares, reforçando a ampla gama de questões judiciais que emergem nesse período.

Na região metropolitana e interior do estado do Rio de Janeiro, que inclui cidades como Niterói, Duque de Caxias e Petrópolis, foram registrados mais 2.277 processos. Essa preocupação com a proteção e segurança da mulher é crucial, considerando os alarmantes índices de descumprimento das medidas protetivas no Brasil. Em 2024, as estatísticas revelaram uma taxa de 18,3% de desrespeito às ordens judiciais, totalizando 101.656 casos reportados nas delegacias. Esse crescimento de 10,8% em relação a 2023 evidencia uma falha no sistema de proteção efetivo às mulheres, que frequentemente se tornam alvo da violência doméstica.

O estudo aponta que, a cada dez mulheres que possuem medidas protetivas, quase duas já enfrentaram o descumprimento por parte de seus agressores. As ordens mais comuns concedidas pela Justiça incluem a proibição de aproximação e contato com a vítima, além do afastamento do agressor do lar. Esse cenário desafiante reforça a necessidade urgente de estratégias mais eficazes para garantir a segurança das mulheres e a efetividade das medidas protetivas no país.

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