JUSTIÇA –

PGR Apoia Escolas Cívico-Militares em SP, mas Critica Pagamento Extra a Policiais como Irregular

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou sua posição favorável ao programa de escolas cívico-militares do estado de São Paulo em um parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, destacou que a única parte irregular do programa diz respeito ao pagamento de compensações adicionais aos policiais militares que atuarem nas instituições de ensino, o que é considerado inconstitucional. Essa irregularidade se deve à falta de especificação de uma fonte de custeio para esses gastos, bem como a ausência de estimativas financeiras relevantes.

Atualmente, há uma previsão na legislação que permite que policiais inativos recebam até R$ 6 mil em compensações por desempenhar funções de monitoria em tempo integral, salvas exceções onde o valor pode ser superior para cargos de gestão. Gonet, em sua análise, reiterou críticas já anteriormente expressas em relação a programas semelhantes implementados em outros estados, como Paraná. No que tange à atuação da Polícia Militar nas escolas, o procurador argumenta que a legislação paulista respeita a Constituição, uma vez que não impõe diretrizes de currículo ou metodologia de ensino que infrinjam a competência legislativa da União.

Ele enfatizou que as regras criadas não intervêm na definição do conteúdo programático, que é uma prerrogativa federal, mantendo-se dentro dos limites constitucionais. Um ponto importante abordado por Gonet é que a implementação do programa nas instituições de ensino ocorrerá apenas após consulta à comunidade escolar, indicando que não haverá imposição por parte do Estado.

O parecer foi protocolado na última terça-feira (27) e faz parte de uma ação movida pelo PSOL em 2024, com a relatoria sob o ministro Gilmar Mendes. Esse posicionamento diverge da interpretação da Advocacia-Geral da União (AGU), que se manifestou contrariamente à constitucionalidade do programa, argumentando que ele ultrapassa os limites da legislação federal sobre educação e compromete a natureza das entidades militares.

Por ora, não há uma data definida para que o STF julgue o caso, que continua a tramitar. A discussão sobre a formalização de modelos educacionais que envolvem a participação de policiais nas escolas é um tema polêmico, refletindo a tensão entre segurança pública e educação.

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