Os mandados de buscas e apreensão realizados pela PF nesta quinta-feira foram autorizados por Dino, que também determinou o bloqueio de bens e o afastamento de função pública de dois investigados. O Hospital Ana Nery, localizado em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, foi o alvo dos desvios, que ultrapassam os R$ 500 mil em propina, conforme apontam as investigações.
A investigação segue no Supremo Tribunal Federal devido ao envolvimento de Lino Rogério, chefe de gabinete do deputado federal Afonso Motta (PDT-RS), que foi afastado de suas funções públicas. Flávio Dino justificou a decisão de conduzir o caso no STF como sendo “fundamental” devido ao “justo receio da utilização do cargo público para a prática de infrações penais”.
O relatório da PF, com mais de 100 páginas, revela detalhes da negociação entre Rogério e o lobista Cliver Fiegenbaum, apontado como intermediário nos desvios de recursos públicos. A PF apresentou conversas de WhatsApp entre os dois, além de um contrato firmado entre o hospital e uma empresa ligada a Fiegenbaum para a “captação de emendas parlamentares”, com cláusulas que previam o pagamento de 6% das emendas captadas.
Além disso, os investigadores identificaram a participação de funcionários do hospital no esquema, que teriam atuado para acobertar e facilitar as fraudes. O gabinete de Motta negou qualquer envolvimento do parlamentar no esquema e informou que está buscando acesso aos autos da investigação para se posicionar sobre o caso.
A Agência Brasil está em busca de posicionamento da defesa de Cliver Fiegenbaum, assim como do Hospital Ana Nery, e está aberta a manifestações por parte dos envolvidos. A operação da Polícia Federal continua em curso, com o objetivo de apurar e responsabilizar os responsáveis pelos desvios de recursos públicos destinados ao hospital no Rio Grande do Sul.







