Justiça Paulista Suspende Normativa que Reduz Carga Horária de Professores Após Licença Médica, Afirmando Violação de Direitos Trabalhistas.

A Justiça do estado de São Paulo decidiu, em uma tutela de urgência, suspender uma norma polêmica da Secretaria da Educação (Seduc) que previa penalidades para professores da rede estadual que retornassem de licença médica. A medida, que resultava em diminuição da carga horária dos docentes, foi considerada uma violação dos direitos dos profissionais da educação.

A ação foi proposta pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e acatada pelo juiz Josué Vilela Pimentel do Tribunal de Justiça de São Paulo. Na decisão, o magistrado destacou que a norma, em vigor desde novembro de 2024, não poderia penalizar os educadores por razões de saúde, já que a legislação vigente assegura a proteção dos profissionais em casos de faltas justificadas, como consultas e tratamentos médicos.

O juiz enfatizou que essa política da Seduc estava em desacordo com o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado, além da Lei Complementar n.º 1.374/2022, que garante que faltas justificadas não são consideradas inassiduidade. A decisão judicial, portanto, ordena que a Secretaria revise suas diretrizes, assegurando que os afastamentos por motivos de saúde não resultem em perda de aulas, diminuição da carga horária ou outras sanções.

Vale ressaltar que a norma da Seduc permitia a redução de carga horária não apenas para licenças médicas, mas também para quaisquer outras ausências consideradas injustificadas, deixando de fora apenas algumas situações específicas, como licença-maternidade e convocação para o Tribunal de Júri. Com a decisão, a Justiça determina que todas as licenças médicas sejam consideradas justificativas válidas, garantindo, assim, a proteção dos direitos dos educadores.

Em resposta à polêmica, a Seduc declarou que a presença contínua dos professores nos projetos pedagógicos é imprescindível para a qualidade do ensino, especialmente em iniciativas como a Sala de Leitura, que têm como objetivo incentivar a leitura e a interdisciplinaridade. Contudo, a secretaria não se manifestou sobre a recente decisão judicial até o fechamento desta reportagem.

Essa decisão marca um importante precedente para o tratamento das ausências de docentes por questões de saúde, ressaltando a necessidade de respeitar os direitos trabalhistas e a saúde dos profissionais que atuam na educação pública. A relação entre as políticas educacionais e as condições de trabalho dos professores é um tema que continua a gerar debates e que merece atenção de todos os envolvidos no setor.

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