De acordo com o relato, a servidora, ao avistar o ministro no avião, começou a gritar ofensas, afirmando que “não respeita essa espécie de gente” e que o “avião estava contaminado”. Essa atitude, considerada ameaçadora e incitante, levou a um tumulto a bordo, onde ela repetidamente chamava a atenção dos demais passageiros para a presença do ministro. Seu comportamento agressivo só foi contido após a interveniência da aeromoça chefe de cabine.
A Polícia Federal foi acionada ainda antes da decolagem, e o caso foi enviado à Procuradoria-Geral da República. Com isso, Maria Shirlei enfrentou acusações de injúria, incitação ao crime e atentado à segurança do transporte aéreo. A decisão do STF reconheceu a consistência das acusações, destacando a clareza das circunstâncias do crime e a legalidade do procedimento, assegurando o direito de defesa da ré. O ministro Flávio Dino não participou da votação, pois sua condição de parte interessada o impediu de influenciar a decisão do colegiado.
Além disso, este caso está vinculado aos inquéritos das fake news e das milícias digitais, que investigam ofensas e ataques voltados aos ministros da Suprema Corte. Esses inquéritos foram iniciados em 2019, sem provocação externa, por decisão do então presidente do STF, Dias Toffoli, que designou o ministro Alexandre de Moraes como relator.
A longa duração e a falta de um objeto claro nas investigações têm sido alvo de críticas por parte de juristas e advogados, que também questionam o fato de os ministros figurarem simultaneamente como vítimas e juízes nos processos. A complexidade da situação ainda gera debates acalorados na esfera jurídica e na opinião pública, em um contexto onde a linha entre a liberdade de expressão e a responsabilidade civil é frequentemente analisada.






