Essa fundamentação foi apresentada em uma representação encaminhada ao Superior Tribunal Militar (STM), onde o MPM solicita a perda da patente de capitão da reserva do ex-presidente, bem como sua expulsão da instituição militar após sua condenação a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A condenação de Bolsonaro e de outros envolvidos na tentativa de golpe é apresentada como um indicador alarmante do caráter de militares que, apesar de terem jurado defender a bandeira nacional, participaram de atos que comprometeram a democracia.
O MPM enfatiza que está evidente o descaso de Bolsonaro em relação a deveres éticos fundamentais, conforme estipulado no artigo 28 da Lei 6.880/1980, que regula a conduta dos militares. Entre as violações alegadas, o órgão destaca que ele não somente constituiu e chefiou uma organização que buscou influenciar as instituições do Estado, como também, segundo as acusações, tentou levar o país a um estado de exceção democrática.
Além de Bolsonaro, o MPM também pediu a perda da patente de quatro generais da reserva, reconhecendo a gravidade dos atos cometidos por eles durante o período em questão. A presidente do STM, ministra Maria Elisabeth Rocha, afirmou que não há um prazo definido para o julgamento dos casos, mas assegurou que os processos serão discutidos assim que os relatores estiverem prontos para apresentar suas análises.
O quadro delineado pela representação do MPM aponta para uma crise de ética no âmbito militar, onde a lealdade à democracia e à Constituição é colocada à prova. Essa situação se torna ainda mais complexa à medida que o tribunal se prepara para examinar a legitimidade das condutas discutidas, impactando não apenas os envolvidos, mas também a percepção pública das Forças Armadas do Brasil. As consequências que possam advir dessa decisão reverberarão na relação entre os civis e os militares, crucial para a estabilidade das instituições brasileiras.
