JUSTIÇA – Moraes rejeita recursos de ex-comandantes da PMDF condenados por omissão em atos golpistas de 8 de janeiro; votação segue com outros ministros até fevereiro.

Na sexta-feira, 13 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expressou sua posição contrária aos recursos interpostos por cinco ex-integrantes da alta cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Esses policiais foram condenados por omissão durante os tumultos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, que visavam destabilizar o Estado democrático. O julgamento ocorreu em ambiente virtual e, até o momento, apenas Moraes apresentou seu voto, pois os outros três ministros da Primeira Turma – Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia – ainda têm prazo até 24 de fevereiro para se manifestarem.

Moraes rechaçou todas as alegações apresentadas pela defesa, incluindo a reivindicação de cerceamento de defesa e a argumentação de que a competência para apreciar os crimes seria da Justiça Militar. Essas defesas foram consideradas insuficientes diante das evidências da conduta omissiva dos réus.

No mês de dezembro do ano passado, a Primeira Turma decidiu, de maneira unânime, pela condenação dos réus a penas que somavam 16 anos de prisão, além da cassação dos cargos públicos que ocupavam. A decisão incluiu figuras proeminentes da PMDF, como Fábio Augusto Vieira, ex-comandante-geral, e Klepter Rosa Gonçalves, ex-subcomandante-geral, além de outros coronéis que participaram da cúpula da corporação.

O colegiado observou que os réus falharam em suas obrigações durante os eventos de janeiro, onde atos de abolição violenta da democracia resultaram em danos significativos ao patrimônio público. Durante o processo, os advogados questionaram não apenas a jurisdição do STF sobre o caso, mas também apontaram restrições no acesso à documentação do processo, o que, segundo eles, prejudicou a defesa.

Os episódios de 8 de janeiro foram desencadeados por um protesto de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se sentiram injustiçados pela derrota nas urnas. Centenas de manifestantes invadiram e vandalizaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, causando danos que foram estimados em mais de R$ 30 milhões. As forças de segurança do Distrito Federal, responsáveis pela proteção dos locais, foram acusadas de ineficácia na contenção dos atos violentos, levantando questões sobre a responsabilidade dos líderes da PMDF naquele dia fatídico.

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