Os referidos militares, conhecidos por seus distintivos uniformes, serão beneficiados com a substituição de suas penas por um pagamento de R$ 20 mil, a ser destinado à reparação de danos. Além disso, terão que prestar 340 horas de serviços comunitários. Uma das exigências adicionais é que eles compareçam a um curso intitulado “Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado”, com carga horária de 12 horas. O acordo estabelece que, se os militares cometerem novos delitos semelhantes ou forem processados por qualquer infração penal, os benefícios poderão ser revogados.
Durante o julgamento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou os dois oficiais de participarem de reuniões e ações táticas para implementar um plano chamado Punhal Verde e Amarelo. Esse plano incluía ações extremas, como o sequestro e assassinato de autoridades, entre elas o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Moraes. No entanto, após uma análise detalhada das evidências, a Primeira Turma do STF concluiu que as ações cometidas não eram suficientemente graves para justificar penas mais severas. Assim, Márcio Nunes foi sentenciado a 3 anos e 5 meses de prisão em regime aberto, enquanto Ronald Ferreira recebeu uma pena de 1 ano e 11 meses, também em regime aberto. Após a homologação do acordo, essas penas ficam suspensas enquanto os militares cumprirem as condições estabelecidas.
Este caso destaca as tensões ainda presentes nas Forças Armadas do Brasil e o dilema de lidar com comportamentos considerados extremistas dentro de instituições que historicamente têm papel crucial na política do país. Além disso, o acordo levanta questões sobre justiça, responsabilidade e a natureza das leis em relação a figuras militares, em um contexto onde a democracia e a proteção dos direitos fundamentais são prioritárias.
