A medida do STM implica que o Exército é obrigado a enviar ao tribunal informações detalhadas sobre o prontuário funcional de Bolsonaro, abrangendo o período compreendido entre 1971 e 1988. Entre os documentos solicitados estão o histórico disciplinar do ex-presidente, certidões que comprovem sua ausência de punições disciplinares, além de eventuais elogios e a lista de condecorações e medalhas que recebeu ao longo de sua carreira militar. Além do Exército, a Marinha e a Força Aérea também foram convocadas a informar se existem registros de honrarias que o ex-presidente tenha conquistado.
A solicitação surge em um contexto crítico. No dia 3 de fevereiro, o Ministério Público Militar (MPM) apresentou ações no STM pedindo a perda do oficialato de Bolsonaro. A Constituição brasileira prevê que um oficial das Forças Armadas pode ser expulso em decorrência de uma condenação criminal com pena superior a dois anos. No caso de Bolsonaro, a pena estabelecida pelo STF foi de 27 anos e três meses, o que o torna inelegível e sujeito a sanções militares.
Além de Bolsonaro, o MPM também requer a perda da patente de outros generais da reserva, como Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier, todos condenados pelo STF. Este movimento ilustra o impacto da condenação nas esferas civil e militar e levanta questões sobre a conduta e as responsabilidades de oficiais superiores implicados em eventos que desafiam a democracia no Brasil. A expectativa agora se volta para a resposta das Forças Armadas e a análise do STM sobre a situação do ex-presidente e demais oficiais envolvidos.
