JUSTIÇA – Ministro do STF envia processo de aumento de poder de voto da União na Eletrobras para tentativa de conciliação.

Na última terça-feira (19), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nunes Marques, tomou a decisão de encaminhar o processo no qual o governo federal solicita o aumento do poder de voto da União na administração da Eletrobras para uma tentativa de conciliação. A ação, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio, pede que o poder de voto da União seja proporcional à sua participação no capital social da empresa.

Após a privatização da Eletrobras, a União manteve cerca de 42% de participação na companhia. Entretanto, um dispositivo na lei de privatização estabelece um limite de 10% para o poder de voto de qualquer acionista. O governo alega que tal limitação prejudica a privatização da empresa e coloca um obstáculo ao interesse do setor privado em investir na Eletrobras.

Além disso, o governo argumenta que a União é a única prejudicada pela limitação, por ser a única detentora de ações ordinárias em nível superior a 10%. A Procuradoria-Geral da República, em um parecer favorável à ação, afirmou que houve depreciação da propriedade da União com a redução do poder de voto sem contrapartida.

Diante desse impasse, o ministro Nunes Marques considerou o assunto como um “tema sensível”. Ele destacou que o processo de privatização da Eletrobras foi amplo e democrático, e que há diversos preceitos fundamentais em jogo, como a indisponibilidade do interesse público, o direito à propriedade e os princípios que regem a Administração Pública, em contraponto à segurança jurídica, a proteção da confiança e a legítima expectativa dos acionistas minoritários.

Diante da complexidade do caso, o ministro decidiu remeter a ação à Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal (CCAF), para uma tentativa de conciliação e solução consensual entre as partes envolvidas. O prazo para negociação é de 90 dias.

Essa decisão do STF demonstra o esforço em buscar uma resolução amigável para um tema delicado que envolve interesses públicos e privados. A conciliação pode ser uma alternativa para buscar um acordo que atenda às demandas de todas as partes envolvidas, visando equilibrar a prestação de um serviço essencial à sociedade brasileira com a rentabilidade econômica e o bom desempenho da administração da empresa.

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