JUSTIÇA – Ministro do STF autoriza transferência de ex-presidente do BRB para a Papudinha enquanto ele negocia delação premiada com a Polícia Federal e a PGR.

Na última sexta-feira, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), para a carceragem do 19° Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido popularmente como Papudinha. Essa mudança ocorre em um momento delicado, uma vez que a defesa de Costa está em fase de negociações para a assinatura de um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

Antes da decisão, Costa estava detido no presídio da Papuda, que faz parte do mesmo complexo penitenciário. O novo local de custódia, Papudinha, oferece um regime de prisão mais brando, caracterizado por instalações que incluem quartos sem grades, áreas comuns com cozinha e banheiros, além de um espaço ao ar livre para banho de sol, o que contrasta com as condições mais rigorosas enfrentadas por outros detentos.

Este espaço é destinado a presos considerados especiais, como policiais militares, advogados e juízes, e já recebeu nomes de destaque, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de outros condenados pelos atos violentos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.

Paulo Henrique Costa foi preso no dia 16 de abril durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, uma ação da Polícia Federal que investiga fraudes associadas ao Banco Master e a tentativas de aquisição da instituição financeira pelo BRB, um banco público vinculado ao governo do Distrito Federal. As investigações apontam que Costa teria feito acordos com o banqueiro Daniel Vorcaro para receber uma propina no valor de R$ 146,5 milhões, que seria disfarçada por meio de transações imobiliárias. A defesa de Costa, por sua vez, refuta as acusações e mantém a posição de que não há fundamento nas alegações levantadas contra ele.

Este desenrolar de eventos continua a atrair a atenção tanto da mídia quanto da sociedade, refletindo as complexas e muitas vezes sombrias relações entre finanças e política no Brasil. A expectativa agora gira em torno das negociações de delação, que podem trazer novos desdobramentos para o caso e para outros envolvidos nas investigações.

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