JUSTIÇA – Justiça Federal estabelece prazos para União e Iphan apresentarem planos de gestão e relatórios sobre obras no Sítio Arqueológico do Cais do Valongo.

A Justiça Federal do Rio de Janeiro emitiu uma decisão determinando que a União e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apresentem um cronograma de trabalho, plano de gestão e relatórios sobre o andamento das obras no Sítio Arqueológico do Cais do Valongo. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (21) e estabeleceu prazos para que as partes cumpram com as exigências judiciais.

Segundo a determinação, a União e o Iphan têm 30 dias para apresentar o cronograma de trabalho e 120 dias para elaborar o plano de gestão, conforme as exigências da Convenção do Patrimônio Mundial e as decisões da Unesco. O plano de gestão deve ser aprovado pelo Comitê Gestor do Sítio Arqueológico e conter medidas estruturais para o planejamento, implementação e monitoramento da gestão do bem.

Além disso, a decisão judicial estabeleceu que União e Iphan devem divulgar relatórios anuais à sociedade, demonstrando os resultados obtidos em relação às ações previstas no plano de gestão, durante um período de cinco anos. O não cumprimento dos prazos estabelecidos resultará em uma multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 5 milhões, a ser destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

O Cais do Valongo, situado na zona portuária do Rio de Janeiro, foi destacado no relatório da sentença como o maior porto escravagista da história, com milhares de africanos escravizados desembarcando no local. Após ter sido redescoberto em 2011, o sítio arqueológico foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2017.

Diante do atraso na implementação do Centro de acolhimento turístico e memorial da herança africana, estabelecido como contrapartida para o título de patrimônio mundial, a Justiça ressaltou a importância de preservar a memória histórica e honrar as vítimas da escravidão. A sentença enfatizou a responsabilidade do poder público em cumprir prazos e garantir a eficiência na execução de projetos em conjunto com a sociedade civil e o comitê gestor.

A ação civil pública foi proposta pelo Ministério Público Federal, pela Defensoria Pública da União e pelo Município do Rio de Janeiro. A Agência Brasil entrou em contato com a Advocacia-Geral da União e o Iphan para obter posicionamento sobre o caso.

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