A mãe de Thiago, Priscila Menezes Gomes de Souza, com profunda dor e indignação, relembrou o sonho do filho de se tornar jogador de futebol profissional. Thiago deixa para trás uma família que inclui seu pai, mãe e três irmãs. Em uma declaração comovente, Priscila afirmou: “É um momento muito difícil para a família porque nada vai trazer ele de volta, mas é o mínimo que a justiça seja feita. Eles tentaram incriminar o Thiago, mas eles é que cometeram um crime e vão sentar no banco dos réus.”
A trágica morte de Thiago ocorreu enquanto ele andava na garupa de uma motocicleta em uma das principais vias de acesso à Cidade de Deus, onde foi alvejado por três disparos de arma de fogo. Importante ressaltar que, no momento do ataque, o adolescente não estava armado e não havia qualquer confronto que justificasse a violência policial.
Os dois policiais admitiram, em depoimento, que dispararam contra o jovem. Além das acusações de homicídio, eles enfrentam acusações adicionais de fraude processual, tendo tentado plantar uma arma no local do crime para criar uma narrativa de confronto. Inicialmente, quatro policiais foram identificados e detidos por envolvimento na morte, mas dois deles foram liberados em junho de 2025, por decisão do Tribunal de Justiça, que considerou que eles não tiveram participação direta no crime.
A Anistia Internacional tem acompanhado de perto a situação e o luto da família. Jurema Werneck, diretora-executiva da organização no Brasil, enfatizou a gravidade do caso como uma violação dos direitos humanos. “Foi feito errado a polícia suspeitar, julgar e matar de forma instantânea um menino de 13 anos. Nossa expectativa é que o Tribunal do Júri faça justiça. Já está demorando demais. Enquanto isso, é injustiça.”
O desdobramento desse caso coloca em evidência a necessidade urgente de reformulação nas práticas policiais no Brasil, além de um olhar atento sobre a preservação da vida, principalmente em relação à sua juventude.
