Retomada do Júri Popular pelo Assassinato de Mãe Bernadete
O júri popular que julga os réus Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, acusados de assassinar a líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, será retomado na manhã desta terça-feira (14). O processo, que teve início na segunda-feira (13), estava adiado e é realizado no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.
Durante a primeira sessão do julgamento, foi realizado o sorteio dos sete jurados que comporão o conselho de sentença, responsáveis por decidir sobre a culpa ou inocência dos acusados. Nesta fase inicial, foram ouvidas as testemunhas do caso e o réu Arielson, enquanto Marílio se encontra foragido da justiça.
O júri está sob a condução da Juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, que supervisiona todos os procedimentos legais. Espera-se que nesta terça, ocorra a fase de debates entre o Ministério Público e a defesa dos réus. Os dois indivíduos são acusados de homicídio qualificado, embasado em motivações torpes, meio cruel e a utilização de armas de uso restrito na execução do crime, ocorrido em 17 de agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Além do homicídio, Arielson também enfrenta a acusação de roubo.
Mãe Bernadete foi brutalmente assassinada dentro de sua residência, sendo atingida por 25 disparos, em um ataque que envolveu a invasão de homens armados que mantiveram sua família como refém. A ialorixá era uma voz distinta e respeitada na luta pela defesa dos direitos das comunidades quilombolas e havia denunciado com frequência ameaças à sua vida. Ela já havia sido anteriormente alvo de tentativas de agressão e, até mesmo, participava do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.
A brutalidade do crime provocou ampla repercussão e consequências legais, levando o Tribunal de Justiça a transferir o julgamento para Salvador, a fim de assegurar imparcialidade no processo e uma sentença justa. Além disso, outras três pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público da Bahia, mas ainda não têm data definida para serem julgadas. A situação expõe não apenas a violência que ainda enfrentam as lideranças quilombolas, mas também a necessidade urgente de proteção aos defensores de direitos humanos no Brasil.






