JUSTIÇA – Julgamento do caso Henry Borel alcança nove dias e se torna o mais longo da história do Rio de Janeiro, superando caso da deputada Flordelis.

O julgamento do caso Henry Borel avança para seu nono dia no 2° Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, estabelecendo um novo marco na história da justiça fluminense como o mais longo já registrado no estado. O processo ultrapassa a duração do julgamento da deputada cassada Flordelis, que se estendeu por sete dias em novembro de 2022, quando ela foi condenada por orquestrar a morte do marido.

Desde o início das audiências, em 25 de maio, 22 testemunhas foram ouvidas, com o médico Jeferson Evangelista Correa sendo o último a depor. Ele foi contratado pela defesa de Jairo Souza Santos Júnior, popularmente conhecido como Dr. Jairinho, que juntamente com a mãe da criança, Monique Medeiros, é acusado da morte do menino Henry, que tinha apenas quatro anos na época do crime. A acusação sustenta que Henry foi brutalmente agredido por Jairinho, enquanto Monique teria falhado em protegê-lo, contribuindo, assim, para sua morte, cuja causa foi identificada como laceração hepática resultante de um impacto contundente.

Com a conclusão de testemunhos, o processo se encaminha para sua fase decisiva. Hoje, os dois réus terão a oportunidade de se defender diante do tribunal. A defesa de Jairinho obteve uma ordem judicial permitindo que Monique prestasse seu depoimento antes dele, uma estratégia que visa garantir que ele possa responder às acusações de maneira informada.

Os réus serão interrogados não apenas por seus advogados, mas também pela juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o júri, e pelo promotor. É importante ressaltar que os réus não acompanham o interrogatório um do outro. O pai de Henry, Leniel Borel, atua como assistente de acusação no caso.

A expectativa de conclusões é grande, com os debates marcados para quarta-feira. Nessa etapa, o Ministério Público apresentará suas alegações e, em seguida, a defesa terá a oportunidade de se manifestar. Cada parte contará com um tempo determinado para expor seus argumentos, que será proporcional ao número de réus envolvidos.

Em relação ao Conselho de Sentença, composto por sete jurados, a justiça exibe um cuidado para garantir que suas decisões sejam bem fundamentadas. Os jurados não apenas responderão a perguntas sobre a factualidade do caso e a responsabilidade dos réus, mas também poderão solicitar esclarecimentos adicionais e ter acesso a materiais que considerem essenciais para a sua avaliação.

Durante todo o processo, os jurados mantêm um regime de incomunicabilidade, sendo obrigados a não interagir entre si ou com terceiros sobre o caso, além de estarem sob vigilância durante as noites em instalações especiais do tribunal. As testemunhas, embora não permaneçam confinadas, recebem orientação para não se pronunciar para a imprensa, ressaltando a seriedade e a importância deste julgamento no contexto jurídico brasileiro. O desfecho do caso Henry Borel promete repercussões significativas, tanto no âmbito legal quanto na sociedade.

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