JUSTIÇA – Julgamento do Caso Henry alcança décimo dia com debates acalorados entre defesa e acusação; decisão final deve ocorrer na madrugada de quinta-feira.

No décimo dia do famoso julgamento do Caso Henry, que se destaca como o mais extenso da história do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, os debates entre acusação e defesa tomaram conta da pauta da audiência realizada na manhã desta quarta-feira (3). Esta etapa é crucial, pois marca o momento final antes de os jurados deliberarem sobre o veredito. O processo judicial, que começou a ser julgado em 25 de maio, está se aproximando de um desfecho, com previsão de uma decisão final para a virada de quarta para quinta-feira (4).

Os réus no caso, o vereador cassado Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como dr. Jairinho, e sua ex-companheira Monique Medeiros Costa e Silva, enfrentam acusações gravíssimas pela morte do filho dela, Henry Borel, um menino de apenas quatro anos, cuja vida foi ceifada em 8 de março de 2021. O laudo oficial do Instituto Médico Legal apontou a causa da morte como uma laceração hepática provocada por ação contundente.

A defesa e a acusação se revezam em seus argumentos, com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) sendo o primeiro a expor suas evidências. O promotor de Justiça Fábio Vieira dos Santos, que lidera a equipe de acusação, destacou o que considera ser o perfil “psicopata” de Jairinho, alegando que ele tinha um histórico de agressões, incluindo depoimentos de ex-namoradas que confirmaram abusos contra outras crianças. Vieira enfatizou a omissão de Monique em relação à violência que seu filho sofria, argumentando que sua falta de ação foi uma contribuição direta para a tragédia.

Por outro lado, a defesa de Monique, por meio do advogado Hugo Novais, defende que a mãe não tinha conhecimento das agressões e que ela não teve condições de perceber os sinais de alerta. Novais argumenta que Monique não dependia economicamente de Jairinho e, portanto, poderia ter encerrado o relacionamento se tivesse conhecimento do comportamento abusivo do ex-companheiro.

A defesa de Jairinho, representada pelo advogado Fabiano Lopes, levantou questões sobre uma possível responsabilidade do pai de Henry, sugerindo até que o menino poderia ter sofrido lesões antes de ficar sob a custódia de Jairinho e Monique. Lopes insinuou a possibilidade de um acidente de carro ter causado as lesões fatais, desafiando a narrativa da acusação.

À medida que o julgamento se desenrola, os jurados, composto por cinco homens e duas mulheres, têm a responsabilidade de avaliar as evidências apresentadas e decidir sobre o destino dos réus. Eles vão votar em segredo, e a juíza Elizabeth Machado Louro ficará responsável pela definição da pena, caso haja uma condenação. O clima tenso no tribunal reflete a gravidade do caso, com a sociedade atenta a cada movimento do processo, na expectativa de justiça para Henry Borel.

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