JUSTIÇA – Julgamento de réus no assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete começa na Bahia após adiamentos; comunidade clamando por justiça e pena máxima.

Na última segunda-feira (13), teve início, após um adiamento, o julgamento de dois réus envolvidos no brutal assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete. O processo está sendo conduzido no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, na Bahia, onde Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos são acusados de homicídio qualificado. Mãe Bernadete, de 72 anos, foi assassinada com 25 tiros em sua residência, localizada no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, em agosto de 2023.

O julgamento, que se encontrava agendado para fevereiro, precisou ser postergado devido a um pedido da defesa em razão da troca de advogados. As acusações direcionadas a Arielson e Marílio incluem homicídio por motivo torpe, uso de meios cruéis e a utilização de uma arma restrita. No caso de Arielson, ele ainda enfrenta a acusação de roubo. Vale destacar que Arielson já se encontra preso e confessou sua participação no crime, enquanto Marílio permanece foragido.

A expectativa ao longo do julgamento é de que os réus sejam punidos com a pena máxima. O advogado da família Pacífico, Hédio Júnior, manifestou em suas redes sociais a certeza de que as provas apresentadas são irrefutáveis, incluindo reconhecimento por testemunhas e evidências de escuta telefônica. Ele enfatizou a confiança no discernimento do júri para alcançar uma condenação justa.

O assassinato de Mãe Bernadete não foi apenas uma tragédia pessoal, mas um ataque à luta pelos direitos humanos e pela preservação da cultura quilombola. A líder era uma figura proeminente na defesa das comunidades negras rurais e enfrentava constantemente ameaças em sua atuação. Ela, inclusive, era beneficiária do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.

Mobilizações sociais marcam o entorno do tribunal, com familiares, amigos e membros do movimento negro esperando que a justiça prevaleça. Entre eles, o filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico, expressou seu desejo de ver os acusados responsabilizados pelo ato violento, reforçando a relevância histórica e social de sua mãe na defesa dos direitos humanos e na luta contra a violência racial.

Além dos réus atualmente em julgamento, outras três pessoas foram citadas no caso, incluindo um suposto mandante do crime, mas ainda não há data definida para o julgamento deles. Os anseios por justiça não são apenas de uma família, mas de toda uma comunidade que busca proteger seu patrimônio cultural e social frente à violência e à impunidade.

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