O julgamento, que se encontrava agendado para fevereiro, precisou ser postergado devido a um pedido da defesa em razão da troca de advogados. As acusações direcionadas a Arielson e Marílio incluem homicídio por motivo torpe, uso de meios cruéis e a utilização de uma arma restrita. No caso de Arielson, ele ainda enfrenta a acusação de roubo. Vale destacar que Arielson já se encontra preso e confessou sua participação no crime, enquanto Marílio permanece foragido.
A expectativa ao longo do julgamento é de que os réus sejam punidos com a pena máxima. O advogado da família Pacífico, Hédio Júnior, manifestou em suas redes sociais a certeza de que as provas apresentadas são irrefutáveis, incluindo reconhecimento por testemunhas e evidências de escuta telefônica. Ele enfatizou a confiança no discernimento do júri para alcançar uma condenação justa.
O assassinato de Mãe Bernadete não foi apenas uma tragédia pessoal, mas um ataque à luta pelos direitos humanos e pela preservação da cultura quilombola. A líder era uma figura proeminente na defesa das comunidades negras rurais e enfrentava constantemente ameaças em sua atuação. Ela, inclusive, era beneficiária do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.
Mobilizações sociais marcam o entorno do tribunal, com familiares, amigos e membros do movimento negro esperando que a justiça prevaleça. Entre eles, o filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico, expressou seu desejo de ver os acusados responsabilizados pelo ato violento, reforçando a relevância histórica e social de sua mãe na defesa dos direitos humanos e na luta contra a violência racial.
Além dos réus atualmente em julgamento, outras três pessoas foram citadas no caso, incluindo um suposto mandante do crime, mas ainda não há data definida para o julgamento deles. Os anseios por justiça não são apenas de uma família, mas de toda uma comunidade que busca proteger seu patrimônio cultural e social frente à violência e à impunidade.
