A decisão judicial destacou o caráter cruel do ato, levando em consideração a presença das crianças no momento do crime e o contexto de violência contínua que se desenrolava na família. Além da pena de prisão perpétua, o tribunal também impôs a Di Levrano a obrigação de pagar indenizações à família de Ana Cristina, como forma de reparação pelos danos causados.
Ana Cristina, que era natural de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, conheceu Di Levrano há cerca de 15 anos no Brasil. Após engravidar, aceitou se casar com ele e se mudou para a Itália, onde enfrentou uma nova realidade marcada por desafios e violência. Pouco após a mudança, o esposo foi preso por tráfico de drogas, o que a forçou a vivenciar sua primeira gestação em solidão. Ao longo dos anos, Ana se tornou alvo de violência doméstica repetida. Em 2023, ela se sentiu encorajada a denunciar seu marido às autoridades, mas acabou retirando a queixa.
Renata Bueno, advogada da família de Ana Cristina, salientou que a vítima desejava a separação e buscava recomeçar sua vida, mas as dificuldades em deixar um ambiente violento, especialmente em relação à proteção dos filhos, eram imensas. A condenação de Di Levrano marca um passo na busca por justiça, mas questões fundamentais ainda permanecem.
Atualmente, os três filhos estão sob os cuidados das autoridades italianas enquanto a Justiça avalia a melhor solução para sua guarda definitiva. As opções incluem a entrega da tutela à família materna no Brasil ou a permanência em acolhimento institucional. A família paterna, por sua vez, declarou que não pretende reivindicar a custódia das crianças.
A advogada Bueno reafirmou o compromisso de garantir os direitos e a segurança das crianças, afirmando que, embora nenhuma sentença possa devolver uma mãe a seus filhos, é essencial que a Justiça assegure um futuro digno e protegido para eles.





