Com a audiência encerrada, os juízes italianos argumentaram que não houve tempo suficiente para uma análise aprofundada dos documentos enviados pelo governo brasileiro, que descrevem as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde a ex-deputada deve cumprir sua punição. O caso será retomado na primeira quinzena de fevereiro, após um prévio adiamento ocorrido em dezembro, quando a defesa de Zambelli solicitou mais tempo para examinar essas informações.
A ex-deputada se encontra em custódia na Itália desde julho do ano passado, aguardando a resolução sobre a extradição solicitada pelo governo do Brasil. A sua condenação resultou de dois processos distintos no STF. Na primeira condenação, a ex-parlamentar foi considerada culpada por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, atuando em colaboração com o hacker Walter Delgatti. Em uma segunda instância, foi condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, caso em que perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo em outubro de 2022.
De acordo com o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, a penitenciária brasileira onde Zambelli deveria cumprir sua pena é considerada adequada, mantendo padrões de segurança, salubridade e assistência às detentas, além de oferecer atendimento médico e cursos técnicos. Ele ressaltou que não houve registros de rebeliões na unidade prisional.
Zambelli, que deixou o Brasil pouco antes de sua primeira condenação se tornar definitiva, justifica sua fuga alegando perseguição judicial e política. A defesa também contesta as condições do sistema prisional no Brasil, enquanto, em outubro, o Ministério Público da Itália se manifestou favoravelmente à extradição.
Vale destacar que, após sua condenação, Zambelli teve seu mandato revogado pelo Supremo, mesmo após a Câmara dos Deputados ter aprovado a permanência da ex-parlamentar no cargo. Segundo a jurisprudência da Corte, parlamentares condenados a penas longas em regime fechado perdem automaticamente seus mandatos, dado que não podem comparecer às sessões no Congresso.






