Justiça italiana aceita extradição de Carla Zambelli, e mãe diz que decisão é “golpe duro”; defesa promete recorrer à Corte de Cassação.

A ex-deputada Carla Zambelli, que está sob a mira da Justiça italiana, recebeu uma notícia extrema de sua mãe, Rita Zambelli, que expressou sua profunda dor ao saber que a Justiça daquele país acatou o pedido de extradição feito pelo governo brasileiro. Essa decisão agora aguarda a confirmação do Ministério da Justiça da Itália. Rita compartilhou suas emoções em um vídeo nas redes sociais, onde mencionou ter alimentado a esperança até o último momento de que sua filha pudesse ser liberada dessa, segundo ela, “perseguição injusta”.

A defesa de Zambelli já está mobilizada para recorrer da decisão que será direcionada à Corte de Cassação, equivalente ao Supremo Tribunal Federal no Brasil, com um prazo estipulado de 15 dias para a apresentação do pedido. Rita, apesar do contexto angustiante, demonstrou fé de que “Deus tem o controle de tudo” e pediu coragem para Carla, afirmando que sua voz nunca será silenciada, independentemente das adversidades que enfrenta. Para ela, a ex-deputada ainda ressoa na memória dos milhares de cidadãos brasileiros que não toleram injustiças.

Além de expressar seu apoio, Rita também mostrou uma carta escrita por Carla, que data do dia 20 e que lhe foi entregue apenas recentemente. Na mensagem, a ex-parlamentar fez orações pelo clã Bolsonaro e desejou que as “correntes” que amarram a liberdade do Brasil fossem quebradas.

Diante desse cenário, a defesa aguarda um posicionamento do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, que terá a palavra final sobre o processo de extradição. Os advogados da ex-deputada argumentam que o processo no Brasil é de natureza política e visa persegui-la, algo que a Corte italiana, até o momento, refutou, afirmando que os crimes imputados são de natureza comum e que a Justiça brasileira atuou conforme as normas constitucionais.

Zambelli foi condenada em duas ocasiões pelo Supremo Tribunal Federal, uma delas por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça, recebendo uma pena de dez anos de prisão, e a outra por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, resultante de um episódio em que perseguiu um homem armado em São Paulo durante as eleições de 2022.

Sua cidadania italiana a levou a deixar o Brasil em maio do ano passado, após passar pelos Estados Unidos. Assim que chegou à Itália, foi presa, manifestando o desejo de ser julgada ali. Enquanto a extradição se arrasta, a Justiça italiana optou por mantê-la detida na penitenciária de Rebibbia, em Roma, citando riscos de fuga. Caso seja enviada de volta ao Brasil, Zambelli será detida na Colmeia, uma unidade prisional discricionária destinada a mulheres.

Os argumentos da defesa em relação à natureza política do processo, à violação dos direitos humanos na penitenciária brasileira, e outros pontos como a alegação de parcialidade do relator no Brasil foram considerados insustentáveis pela Justiça italiana. A corte também não considerou a cidadania italiana de Carla como um fator suficiente para impedir sua extradição, classificando-a como “meramente formal”. Assim, enquanto as expectativas se somam e se entrelaçam nessa intricada teia judicial, Rita Zambelli segue reivindicando justiça e clamando por sua filha.

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