JUSTIÇA – Itália nega extradição da ex-deputada Carla Zambelli, envolvida em escândalo de invasão ao sistema do CNJ e fugitiva desde 2023.

Na última sexta-feira, a Corte de Cassação da Itália decidiu, em uma reviravolta judicial, negar o pedido de extradição da ex-deputada brasileira Carla Zambelli, que havia sido solicitado pelo governo do Brasil. Essa instância é considerada a última palavra do sistema judiciário italiano e a decisão, embora confirmada, ainda aguarda a divulgação de detalhes adicionais.

Inicialmente, nas instâncias inferiores do Judiciário italiano, o pedido de extradição havia sido aceito, mas a sua execução foi suspensa devido à possibilidade de um recurso. Carla Zambelli, que enfrenta sérias acusações no Brasil, foi presa em Roma em julho do ano passado. A sua detenção se deu no contexto de um mandado emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a condenou a uma pena de 10 anos de prisão. O delito que a leva a essa penalização é a invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um crime apontado como gravíssimo no âmbito dos direitos digitais e da justiça brasileira.

A ex-deputada, que possui cidadania italiana, buscou asilo na Itália após a sua condenação. As investigações indicam que Zambelli foi a mente por trás do esquema que culminou na emissão de um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes. O hackeamento que possibilitou essa ação foi orquestrado por Walter Delgatti, que também enfrentou a justiça e confirmou ter atuado sob ordens da parlamentar.

Desde a sua fuga ao exterior, o governo brasileiro não poupou esforços para assegurar a extradição de Zambelli, considerando a gravidade de suas ações e o impacto que tiveram no sistema judiciário. O desdobramento desse caso levanta questões sobre a cooperação jurídica entre países e os desafios enfrentados por autoridades ao tentar localizar indivíduos acusados de crimes graves que se exilaram em nações onde possuem dupla cidadania.

A negativa da Corte de Cassação poderá ter implicações significativas nas relações bilaterais entre Brasil e Itália, além de abrir um debate mais profundo sobre as responsabilidades de líderes políticos e os limites da imunidade parlamentar.

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