Justiça israelense prorroga detenção de ativistas Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, acusados de ligação com terrorismo durante missão humanitária à Gaza.

No último domingo, o Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, decidiu estender por mais dois dias a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol Saif Abu Keshek. A informação foi confirmada pela família de Ávila e gerou preocupação entre os defensores dos direitos humanos. Ambos os ativistas foram detidos em uma operação do Exército israelense quando tentavam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, a bordo de uma flotilha interceptada em águas internacionais, próximas à Grécia.

A esposa de Thiago, Lara Souza, informou que a prisão foi prorrogada até uma nova audiência marcada para a próxima terça-feira, às 12h no horário local. Durante a audiência, foram apresentadas cinco acusações contra o brasileiro, todas relacionadas à suposta associação com terrorismo e à colaboração com inimigos durante um período de conflito. A defesa de Ávila contesta tais alegações, argumentando que não há provas concretas que sustentem as acusações, que aparente estarem ancoradas apenas em suspeitas infundadas. Nesse momento, o ativista continua sob interrogatório sem uma denúncia formal, ou previsões de quando poderá ser acusado oficialmente.

Ávila, que foi detido na última quarta-feira, também relatou, através de organizações de direitos humanos, que ficou em isolamento e que sofreu agressões durante sua detenção. Ele teria relatado a advogados que, no momento da abordagem, foi espancado, chegando a perder a consciência. Segundo a Global Sumud Flotilla, a operação resultou na detenção de mais de 175 ativistas e 22 embarcações, em um esforço considerado ilegal pelos organizadores, que afirmam terem sido interceptados a mais de mil quilômetros da costa de Gaza.

As autoridades israelenses, por sua vez, alegam que os ativistas têm vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, uma organização contestada por estar supostamente ligada ao Hamas, enquanto os países de origem dos ativos, Brasil e Espanha, manifestaram condenação à detenção, classificando-a como uma violação do direito internacional. Esse caso levanta questões cada vez mais sérias sobre a situação dos direitos humanos e a liberdade de ação de defensores que buscam levar ajuda a regiões em conflito. A próxima audiência será um momento crucial para determinar o futuro de Ávila e Keshek.

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