Justiça Federal condena americanos e brasileiros a 17 anos por exploração sexual em festa no Morumbi; evento promovia ‘curso’ de conquista de mulheres.

A Justiça Federal brasileira proferiu uma sentença contundente contra o estadunidense Mark Thomas Firestone e o brasileiro Fabrício Marcelo Silva de Castro, ambos condenados a 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado. O tribunal analisou os crimes de exploração sexual de mulheres, incluindo adolescentes, durante uma festa realizada em uma mansão no Morumbi, em São Paulo, no dia 26 de fevereiro de 2023.

Os réus estavam envolvidos em um curso polêmico promovido pelo grupo Millionaire Social Circle, cujo objetivo era ensinar homens a conquistar mulheres. Para isso, organizaram um evento que atraiu um grande número de mulheres com promessas de vantagens econômicas e status social. As investigações apontaram que as festividades eram, na verdade, um pretexto para induzir as participantes em situações de exploração sexual, frequentemente por meio de convites gratuitos e transporte custeado.

A festa foi especialmente criticada por contar com a presença de adolescentes, incluindo uma jovem de apenas 17 anos. Apesar da comunicação oficial de que o evento era restrito a maiores de 18 anos, a falta de um controle rigoroso permitiu a entrada de participantes mais jovens, exacerbando a gravidade da situação.

O juiz federal Caio José Bovino Greggio observou a sistemática prática de filmagens e fotografias das mulheres presentes, muitas vezes sem consentimento, para divulgação nas redes sociais do curso. As vítimas foram tratadas como “prêmios” do aprendizado dos participantes masculinos, reconfigurando essas mulheres como objetos dentro de um esquema de exploração.

Mark Thomas, também conhecido por outras identidades, foi considerado uma das figuras centrais do esquema, agindo como instrutor. Já Fabrício Marcelo tomou parte na logística do evento, cuidando de aspectos como locação e serviços. A sentença reafirmou a necessidade de manutenção da prisão preventiva de Fabrício, devido ao risco de evasão, enquanto Firestone poderá recorrer em liberdade.

A festa, que se apresentava como uma “aula prática”, foi alvo de investigações pela Polícia Civil de São Paulo, a partir de relatos de mulheres que estavam presentes. A quantidade de imagens e vídeos divulgados em redes sociais só aumentou a atenção sobre o evento. Uma sobrevivente descreveu como o local estava repleto de homens estrangeiros, que registraram sua presença para fins promocionais do curso, destacando a precariedade com que questões de consentimento eram tratadas.

As alegações de danos à dignidade das participantes, e a objetificação recorrente que promoveu uma visão distorcida das mulheres brasileiras, geraram repercussão e demandaram uma resposta rigorosa do sistema de justiça. Este caso não apenas expõe a face obscura de determinadas práticas sociais, mas também levanta questões fundamentais sobre consentimento e dignidade no contexto de relações interpessoais. A expectativa agora é que o desdobramento desse julgamento sirva de alerta contra abusos e promova uma reflexão mais profunda sobre a exploração sexual em diferentes contextos.

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