De acordo com o ex-ajudante de Ordens de Bolsonaro, parte desse montante, especificamente US$ 18 mil, foi entregue diretamente pelo tenente-coronel ao ex-presidente, após a venda de um kit de joias Chopard presenteado pela Arábia Saudita. Já os outros US$ 68 mil foram repassados de forma fracionada, sempre em espécie, pelo general Mauro Cesar de Lourena Cid, pai de Mauro Cid, residente nos Estados Unidos.
O depoimento de Mauro Cid revela que não houve registro oficial da venda dos bens, apenas deduções de despesas com passagem aérea e aluguel de veículo. O tenente-coronel confessou que ele mesmo selecionou o “kit ouro branco” a pedido de Bolsonaro, identificando quais itens seriam mais fáceis de vender. Apenas ele e o ex-presidente tinham conhecimento das transações, segundo seu relato.
A defesa de Bolsonaro sempre negou seu envolvimento no caso, mas em julho do ano passado, ele foi indiciado juntamente com Cid e outros 11 investigados pela PF por desvio dos itens. Agora, resta aguardar a decisão da Procuradoria-Geral da República sobre uma eventual denúncia, após o relatório da PF ter sido encaminhado pelo ministro Alexandre de Moraes ao STF.
A delação premiada de Mauro Cid teve seu sigilo levantado após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciar o tenente-coronel, Bolsonaro e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito. Este novo capítulo no escândalo envolvendo o ex-presidente promete trazer ainda mais repercussões e desdobramentos nos próximos dias.







