JUSTIÇA – EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas, mas promotor alertam que medida pode prejudicar cooperação no combate ao crime no Brasil.

A recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos foi recebida com ceticismo por especialistas em segurança pública no Brasil. Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo, expressou a sua posição em entrevista no programa Alô Alô Brasil, conduzido pelo jornalista José Luiz Datena. Ele argumentou que essa designação não traz vantagens significativas para o Brasil, considerando o contexto atual.

Gakiya destacou que a classificação de grupos como terroristas por parte dos Estados Unidos não resultou em uma diminuição do poder de organizações criminosas em outros países da América Latina, como México e El Salvador. Ele enfatizou que, apesar de muitos defenderem essa medida, não está claro como isso poderia beneficiar o país de forma pragmática. O promotor frisou que a ação poderia prejudicar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado, especialmente em questões relacionadas ao tráfico de drogas, uma vez que a Central de Inteligência dos EUA (CIA) e os militares poderiam começar a se envolvem em operações que anteriormente eram de responsabilidade de agências como o FBI e a DEA.

A classificação, anunciada oficialmente na noite de quinta-feira, abre precedentes para possíveis intervenções no Brasil, incluindo sanções econômicas e ações militares. Segundo Gakiya, enquanto há risco de ações secretas por parte dos EUA, considera improvável uma invasão militar no Brasil. Ele explica que a legislação americana permite operações em território estrangeiro sem o consentimento do governo local, como já ocorreu em situações na Venezuela e no México. No entanto, Gakiya ressalta que a capacidade do Brasil de se defender é significativamente maior em comparação a esses países.

O promotor defendeu a intensificação dos acordos de cooperação entre as agências de segurança dos dois países, sugerindo a formação de equipes de investigação e forças-tarefas que possam atuar em conjunto no combate a essas facções. Ele acredita que a colaboração pode ser essencial para aprimorar a eficácia das ações contra o crime organizado, especialmente na utilização de recursos financeiros, tecnologia e treinamento.

Essa avaliação levanta questões importantes sobre a verdadeira eficácia e as repercussões da nova classificação, trazendo à tona a necessidade de uma estratégia mais colaborativa entre os países para enfrentar os desafios impostos pelo crime organizado.

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