Gakiya destacou que a classificação de grupos como terroristas por parte dos Estados Unidos não resultou em uma diminuição do poder de organizações criminosas em outros países da América Latina, como México e El Salvador. Ele enfatizou que, apesar de muitos defenderem essa medida, não está claro como isso poderia beneficiar o país de forma pragmática. O promotor frisou que a ação poderia prejudicar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado, especialmente em questões relacionadas ao tráfico de drogas, uma vez que a Central de Inteligência dos EUA (CIA) e os militares poderiam começar a se envolvem em operações que anteriormente eram de responsabilidade de agências como o FBI e a DEA.
A classificação, anunciada oficialmente na noite de quinta-feira, abre precedentes para possíveis intervenções no Brasil, incluindo sanções econômicas e ações militares. Segundo Gakiya, enquanto há risco de ações secretas por parte dos EUA, considera improvável uma invasão militar no Brasil. Ele explica que a legislação americana permite operações em território estrangeiro sem o consentimento do governo local, como já ocorreu em situações na Venezuela e no México. No entanto, Gakiya ressalta que a capacidade do Brasil de se defender é significativamente maior em comparação a esses países.
O promotor defendeu a intensificação dos acordos de cooperação entre as agências de segurança dos dois países, sugerindo a formação de equipes de investigação e forças-tarefas que possam atuar em conjunto no combate a essas facções. Ele acredita que a colaboração pode ser essencial para aprimorar a eficácia das ações contra o crime organizado, especialmente na utilização de recursos financeiros, tecnologia e treinamento.
Essa avaliação levanta questões importantes sobre a verdadeira eficácia e as repercussões da nova classificação, trazendo à tona a necessidade de uma estratégia mais colaborativa entre os países para enfrentar os desafios impostos pelo crime organizado.





