Justiça Eleitoral determina retirada de vídeos de Boulos com ataques a Nunes nas redes sociais antes do segundo turno.

Na tarde desta quarta-feira, a Justiça Eleitoral emitiu três liminares determinando que o candidato Guilherme Boulos (PSOL) remova de suas redes sociais três vídeos que continham ataques ao seu adversário no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). As decisões foram tomadas após solicitações do Ministério Público Eleitoral (MPE) e agora aguardam manifestações dos advogados de Boulos no prazo de 24 horas.

Em um dos vídeos, Boulos apresentou uma cena teatral onde amigos secretos eram beneficiados ilegalmente por Nunes, que recebia “presentes” em troca desses favorecimentos. A legenda do vídeo provocava: “Quem dera o prefeito Ricardo Nunes tratasse São Paulo como trata os amigos, né?”. O juiz Murillo d’Avila Vianna Cotrim, ao conceder a liminar, destacou que a forma de veiculação continha insinuações que poderiam caracterizar ofensas e ataques pessoais.

Outra ação foi direcionada a uma postagem que mostrava fotos de Nunes recebendo dinheiro ilícito enquanto prefeito de São Paulo. Nas imagens, ele aparece próximo a uma pilha de dinheiro, com uma tarja nos olhos, e afirmações como “R$ 31 milhões para o filho do compadre”. A juíza Claudia Barrichello argumentou que as propagandas passavam a ideia de que Nunes era culpado por corrupção e improbidade administrativa, o que poderia macular sua imagem e honra.

Já o terceiro vídeo alvo das liminares tratava das operações da Polícia Civil contra a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público. A equipe de Boulos mencionou a possível infiltração do PCC no sistema de ônibus de SP, além de alegar que Nunes teria trazido o crime organizado para a cidade. O juiz Rodrigo Marzola Colombini determinou a remoção dessa publicação.

Em resposta, a equipe de campanha de Boulos afirmou que o candidato adversário tenta impedir que a população saiba sobre seu histórico, que já foi amplamente divulgado pela imprensa. Destacaram a necessidade de Nunes dar explicações sobre as suspeitas que recaem sobre ele, como no caso da Máfia das Creches e sua relação com empresários de ônibus investigados. Nunes sempre negou as acusações de violência doméstica e qualquer envolvimento com as investigações em questão.

Com essas decisões da Justiça Eleitoral, a reta final da campanha para a Prefeitura de São Paulo fica marcada pela polêmica e pela disputa acirrada entre os candidatos. Agora, caberá a Boulos acatar as determinações judiciais e adequar sua comunicação online para os últimos dias de campanha.

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