### Familias exigem justiça após feminicídio de Ana Paula; sepultamento ocorreu em Maceió
Na manhã desta segunda-feira (6), o clima era de dor e indignação no Cemitério São Luiz, em Maceió, onde familiares e amigos deram o último adeus a Ana Paula, uma mulher de 43 anos que falecera em decorrência de queimaduras extremas. Ana Paula foi vítima de um brutal ataque de seu ex-companheiro, que ateou fogo em seu corpo, deixando-a com mais de 60% da pele queimada. Ela faleceu no último sábado (4) no Hospital Geral do Estado (HGE), onde estava internada na UTI desde o trágico evento ocorrido em 26 de junho.
Durante o sepultamento, os familiares trouxeram balões como forma de homenagem e clamaram por justiça, pedindo uma punição severa ao autor do crime, que já se encontra preso. “Queremos que ele pague por tudo que fez. Minha mãe não merecia isso”, afirmou Amanda Barbosa, filha de Ana Paula, em declaração emocionada.
Amanda contou à imprensa que, nos dias que precederam o ataque, sua mãe havia se afastado do ex-companheiro e buscava um novo começo em uma cidade próxima. No entanto, o acusado foi até lá em busca dela, forçando Ana Paula a retornar a Maceió, onde o crime ocorreu. “Ele já tinha planejado tudo. A última coisa que minha mãe disse foi que não o queria mais”, lamentou Amanda, que ainda relatou que Ana Paula deixará outros três filhos.
O crime chocou a comunidade local e se tornou emblemático na luta contra a violência de gênero. Ana Paula não apenas perdeu sua vida, mas enfrentou meses de sofrimento, com sequelas graves, incluindo a perda dos cabelos e da visão. O acusado, que também sofreu queimaduras no incidente, procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento, onde foi preso.
A tragédia levanta a urgente necessidade de um debate significativo sobre a proteção às mulheres e a eficácia das políticas públicas na luta contra o feminicídio. As palavras de Amanda ecoam não apenas pela dor de uma filha, mas como um apelo coletivo por justiça, mudança e proteção a todas as mulheres.
A sociedade clama por um entendimento mais profundo da violência de gênero. Sem a devida atenção, histórias como a de Ana Paula correm o risco de se repetir, reforçando a necessidade de uma resposta robusta e eficaz do Estado frente a essa epidemia.
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