Justiça é acionada para bloquear R$ 1 bilhão da Vale após vazamento na Mina da Fábrica, aumentando riscos ambientais em Minas Gerais.

Os proprietários da Fazenda do Pires, localizada no entorno da Mina da Fábrica, que enfrentou um sério vazamento no final de janeiro, decidiram recorrer à Justiça. O objetivo principal é o bloqueio de R$ 1 bilhão das contas da mineradora Vale, medida que visa garantir a alocação de recursos para a reparação dos danos ambientais causados pela tragédia. Além do bloqueio, os proprietários exigem a suspensão imediata de todas as atividades mineradoras relacionadas ao complexo da mina, argumentando que as operações estão interligadas e que a retomada, mesmo que parcial, pode aumentar o risco sistêmico da região.

Laudos preliminares indicam que o material vazado alcançou o Córrego Água Santa e o Rio Maranhão, um afluente significativo do Rio Paraopeba, responsável por abastecer uma parte considerável da região metropolitana de Belo Horizonte. Esses dutos hídricos são essenciais para a comunidade local, e qualquer contaminação pode ter impactos devastadores tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública.

O advogado Cristiano Volpe, que representa os proprietários, enfatiza a necessidade de urgência na análise da ação, lembrando o histórico sombrio da Vale em Minas Gerais. Nos últimos anos, o estado tem sofrido com tragédias ambientais, sendo palco de rompimentos de barragens que resultaram não só em perdas materiais, mas também em vidas. O exemplo mais marcado é o desastre de Brumadinho, que ocorreu há exatamente sete anos, quando a barragem da Mina Córrego do Feijão se rompeu, resultando na morte de 270 pessoas, incluindo grávidas, e na devastação de diversas comunidades.

Recentemente, na última sexta-feira, a Justiça de Minas Gerais rejeitou o pedido da Advocacia-Geral do Estado para o bloqueio dos R$ 1 bilhão, considerando-o prematuro. O juiz responsável pelo caso argumentou que ainda não foi realizado um levantamento adequado dos danos e das indenizações que deverão ser pagas, o que impede a adoção de medidas tão drásticas neste momento. Essa negativa gera incertezas sobre as próximas etapas do processo judicial e levantamento de responsabilidades, em um contexto marcado por uma crescente preocupação ambiental e social.

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