A juíza federal Mary Scriven, da Corte Distrital do Distrito Médio da Flórida, aceitou integralmente a intervenção do Brasil, reconhecendo seu interesse direto na questão. Essa decisão também implica a suspensão da possibilidade de qualquer ordem de revelação contra Moraes enquanto o tribunal americano avalia o pedido de extinção do processo apresentado pelo governo brasileiro.
A Advocacia-Geral da União (AGU), que representa o Brasil no caso por meio da Procuradoria Nacional da União de Assuntos Internacionais, argumentou que as decisões contestadas foram tomadas por Moraes no exercício de suas funções no STF, configurando atos jurisdicionais soberanos e, portanto, insubsistentes para revisão por tribunais estrangeiros. Na visão da AGU, a interferência da Justiça americana no caso representaria uma violação à soberania nacional e ao princípio da imunidade de jurisdição.
As empresas Rumble e Trump Media alegaram que as determinações de Moraes relacionadas à remoção de conteúdos e perfis nas redes sociais infringem as garantias constitucionais dos Estados Unidos. O cerne da questão gira em torno da interpretação e aplicação das decisões do STF brasileiro, que não deveriam, segundo o governo brasileiro, ser alvo de revisões por cortes em outros países.
Com o desenrolar deste processo, foi estipulado que as empresas têm até o dia 7 de julho para responder ao pedido de extinção formulado pelo Brasil. O governo brasileiro clama pela finalização da ação sem a necessidade de uma análise detalhada, reafirmando que os tribunais americanos não têm jurisdição sobre os atos do Judiciário brasileiro. Esse caso destaca tensões entre legislações nacionais e a arena internacional, refletindo o dilema da soberania em um mundo cada vez mais interconectado.
