Na sentença proferida pelo juiz Marcello Ruibioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, ficou evidente que a investigação revelou a existência de um sofisticado esquema de rachadinha dentro do gabinete de Carlos Bolsonaro. O juiz destacou que as provas reunidas durante a apuração foram suficientes para justificar a aceitação da denúncia. O material apresentado pelo Ministério Público aponta Fernandes como o “líder e mentor da organização”, ressaltando sua relação próxima com a família Bolsonaro e seu papel na nomeação dos outros denunciados.
O documento judicial também menciona a esposa de Fernandes entre os réus, a qual supostamente transferiu mais de R$ 800 mil para a conta do marido. Desde sua nomeação em 2001 até assumir oficialmente o cargo de chefe de gabinete em 2018, o envolvimento de Fernandes em irregularidades financeiras é alvo de investigação. De acordo com a denúncia, o esquema de rachadinha funcionou entre junho de 2005 e dezembro de 2021, período no qual cada assessor realizava transferências e retiradas financeiras em benefício de Fernandes após receber seus salários.
O Ministério Público estima que os seis servidores envolvidos repassaram um total de R$ 1,9 milhão a Fernandes. Agora, cada um dos acusados dispõe de um prazo de dez dias para apresentar suas defesas por escrito. Após essa etapa, o juiz avalia as explicações e procede à determinação das datas para depoimentos de testemunhas.
A denúncia contra os ex-assessores foi protocolada em setembro de 2024, e, na mesma ocasião, o MP decidiu arquivar a investigação contra Carlos Bolsonaro, baseando-se na ausência de provas concretas que indicassem pagamentos ao então vereador. Contudo, em janeiro de 2025, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga manifestou discordância em relação à decisão do promotor, apontando falhas e contradições na apuração anterior. Em março deste ano, o Ministério Público reabriu a investigação contra Carlos, que agora segue em andamento, enquanto novas evidências surgem.
