Justiça determina transferência urgente de paciente oncológico em Maceió, enquanto Estado é negligenciado em ações contra fechamento de leitos na rede pública.

O fechamento de leitos destinados ao atendimento oncológico na rede estadual de saúde de Alagoas tem gerado uma crise significativa na assistência à saúde em Maceió. Esta situação crítico ressalta um problema estrutural na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciando a complexidade da divisão de responsabilidades entre os entes federativos, onde tanto o Estado quanto os municípios têm o dever de garantir tratamentos adequados aos pacientes.

Recentemente, a Defensoria Pública de Alagoas tomou a iniciativa de ajuizar uma ação judicial contra o município de Maceió, buscando assegurar a transferência de um paciente oncológico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Lúcia para o Hospital Universitário (HU). O pedido foi aceito pela Justiça, e a juíza plantonista Nathálya Ataide Fernandes determinou que a Prefeitura realizasse a transferência em um prazo máximo de 12 horas. No entanto, essa medida lança luz sobre uma questão mais ampla: por que o Estado, que também possui a responsabilidade constitucional de garantir o atendimento integral aos pacientes oncológicos, não foi igualmente acionado na ação?

Essa disparidade na abordagem judicial revela uma percepção de injustiça no sistema de saúde. Enquanto o município é compelido a agir com celeridade em prol da saúde do paciente, o Governo de Alagoas permanece sem responsabilização formal, apesar de sua significativa redução na oferta de serviços oncológicos. Essa situação cria um cenário de insegurança e desamparo para pacientes que, diante do fechamento de leitos, enfrentam dificuldades para acessar tratamentos essenciais.

A urgência da questão se torna ainda mais evidente quando se considera que a assistência oncológica é uma necessidade vital para muitos cidadãos. A depender da resolução desse problema, vidas podem estar em risco, e a continuidade do tratamento de pacientes já sob cuidados médicos pode ser colocada em xeque. Portanto, medidas que promovam um equilíbrio nas responsabilidades entre Estado e municípios são imprescindíveis para que a população tenha acesso a cuidados de saúde adequados e dignos. A situação atual clama por uma reflexão profunda e urgente acerca das obrigações de cada ente federativo, visando sempre o bem-estar da população.

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