Neste áudio, o militar mencionou ter sido pressionado pela Polícia Federal a delatar episódios dos quais não tinha conhecimento sobre as investigações. Esses episódios estavam relacionados a uma suposta trama liderada por Jair Bolsonaro, que teria como intenção impedir a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023.
Durante a audiência, Mauro Cid lamentou o vazamento das conversas e explicou que o áudio em questão foi enviado somente a amigos próximos. No entanto, ele foi informado de sua prisão preventiva pelo juiz Airton Vieira, magistrado instrutor do gabinete de Moraes. A reação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi visivelmente de descontentamento, chegando a colocar as mãos na cabeça e a passar mal.
Após deixar a sala de audiências, o tenente-coronel desmaiou e precisou ser socorrido por brigadistas. Meses mais tarde, ele foi libertado da prisão, mas passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
O sigilo dos vídeos da delação de Mauro Cid foi levantado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta quinta-feira, como parte das denúncias contra Jair Bolsonaro e outros 33 investigados no inquérito do golpe. Segundo a PGR, Bolsonaro estava ciente e concordou com um plano para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o plano, denominado Punhal Verde Amarelo, foi arquitetado e apresentado ao então presidente. Os vídeos revelam trechos importantes desse esquema, mostrando a gravidade das acusações contra Jair Bolsonaro.
