Arquivamento de Inquérito sobre Morte de Mulher em São Paulo Levanta Questões Sobre Ação Policial
A Justiça de São Paulo decidiu arquivar o inquérito que apurava a resistência supostamente apresentada por Luciano Gonçalves dos Santos, companheiro de Thawanna da Silva Salmázio, morta a tiros durante uma abordagem policial no mês passado, na Cidade Tiradentes, zona leste da capital. O pedido de arquivamento foi feito pelo Ministério Público, que ressaltou a falta de evidências concretas de violência ou ameaça nos atos de Luciano, concluindo que sua reação não se configurava como resistência.
Segundo relatos, Thawanna e Luciano caminhavam pela rua Edimundo Audran quando uma viatura da Polícia Militar (PM) passou em alta velocidade, atingindo o braço de Luciano com o retrovisor. A partir daí, uma discussão intensa estourou entre Thawanna e a soldado Yasmin Cursino Ferreira, que acabou disparando seu armamento contra a mulher. As alegações da PM indicavam que Luciano teria desobedecido ordens, mas o MP argumentou que não houve provas de que sua conduta constituísse resistência ao ato policial.
No dia 29 do último mês, a juíza Alice Galhano Pereira da Silva afirmou que a ação poderia ser reaberta, caso novas evidências surgissem. É importante frisar que, antes do arquivamento, a policial responsável pelo disparo já havia sido afastada, com restrições de contato com testemunhas e obrigatoriedade de se recolher em casa durante a noite.
O caso, que ocorreu em 3 de abril, trouxe à tona críticas sobre a atuação da polícia e a resposta ao socorro. Após o disparo, Thawanna aguardou cerca de 30 minutos para receber ajuda médica e faleceu devido a hemorragia interna aguda. O laudo pericial do Instituto Médico Legal indicou essa causa, e há investigações sobre a possível omissão de socorro da parte dos agentes envolvidos.
Testemunhas e câmeras de segurança capturaram a discussão que antecedeu o disparo fatal, revelando um cenário tenso e confuso. Após a tragédia, a comunidade local protestou, exigindo justiça e clamando por uma revisão nas práticas policiais, especialmente em áreas onde a tensão entre moradores e forças de segurança é mais intensa. As imagens das câmeras corporais dos policiais e demais evidências estão sendo analisadas pelas corregedorias competentes, levantando discussões importantes sobre a necessidade de maior responsabilização e transparência nas ações policiais.
