Justiça de São Paulo quebra sigilo telefônico de médico suspeito de assassinar colegas em resta restaurante e investiga possíveis vínculos com contratos de saúde.

A Justiça de São Paulo decidiu pela quebra do sigilo de três linhas telefônicas do médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, formalmente acusado de duplo homicídio após o assassinato de dois de seus colegas em um restaurante de Barueri, ocorrido em janeiro. O juiz Fabio Martins Marsiglio, da 1ª Vara Criminal do município, estipulou que as autoridades poderão acessar todas as comunicações do réu a partir de outubro de 2025, abrangendo um período de quatro meses antes da tragédia.

Carlos Alberto, atualmente em prisão preventiva, tentou diversas vezes conseguir a liberdade durante o processo, defendendo-se como primário e alegando não representar um risco às investigações. No entanto, seus pedidos foram recusados pela Justiça. O Ministério Público de São Paulo apresentou a denúncia em janeiro, sustentando sua acusação com base em registros de câmeras de segurança do restaurante El Uruguayo. Os vídeos exibem o início da briga entre Carlos Alberto e suas vítimas. O médico inicialmente cumprimenta os colegas, mas em um determinado momento, empurra um deles, resultando em uma troca de agressões.

Uma gravação externa do restaurante é ainda mais impactante: Luís Roberto e Vinicius são vistos caminhando pelo estacionamento quando Carlos aparece repentinamente e começa a disparar contra eles. O evento alarmou os guardas civis municipais de Barueri, que foram acionados devido a uma denúncia sobre um indivíduo armado no local. Durante uma inspeção, apesar de Carlos Alberto ter mostrado marcas de agressão, nenhuma arma foi encontrada. Ele ainda afirmou que pretendia se retirar, mas momentos depois, surgiu armado, a partir de informações de que a arma poderia ter sido entregue por uma mulher.

A narrativa envolvendo esse trágico incidente levanta uma série de suspeitas, uma das quais sugere que o crime poderia estar vinculado a disputas por contratos com Organizações Sociais de Saúde. Carlos Alberto é proprietário de uma empresa que mantém laços contratuais com a Fundação ABC, cujo nome foi associado a um esquema de corrupção revelado durante a Operação Estafeta, realizada em julho de 2025 pela Polícia Federal. Embora sua empresa não tenha sido mencionada diretamente nas investigações, é sabido que a Cirmed Serviços Médicos, representada pelo médico, firmou contratos significativos, como o de R$ 6,8 milhões anuais para o Centro Obstétrico e de Parto Normal e de R$ 4 milhões anuais para o Hospital de Clínicas Municipal, com a Fundação ABC nos últimos anos.

As implicações desse caso vão além das questões pessoais, permeando um ambiente de corrupção e disputas por poder na área de saúde pública, um tema de crescente relevância na sociedade contemporânea. As revelações continuam a se desenrolar, e a expectativa é que os desdobramentos futuros tragam maiores esclarecimentos sobre as motivações e a relação entre as partes envolvidas.

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