O histórico de José Correa remonta a 29 de janeiro de 1970, quando ele foi detido por agentes da Operação Bandeirantes (OBAN), uma ação comumente associada à repressão violenta e à violação de direitos humanos. Na ocasião de sua prisão, José estava em sua residência, onde abrigava Carlos Savério Ferrante, um militante envolvido com a oposição ao regime militar. Importante ressaltar que José não tinha antecedentes políticos; seu ativismo se limitava à participação em greves que reivindicavam melhores condições de trabalho, organizadas por sindicatos.
Durante o período de detenção, José foi submetido a uma série de torturas físicas brutais, incluindo chutes, socos e choques elétricos. Além disso, os torturadores não hesitaram em usar ameaças de morte contra seus filhos para coagir ainda mais a vítima. As condições desumanas de sua prisão resultaram em sequelas físicas e emocionais permanentes, como danos físicos significativos e traumas psicológicos, que afetaram não apenas José, mas também sua família.
O processo de indenização foi iniciado pela família em 2022 e, após seguir os trâmites judiciais, o desembargador Bandeira Lins decidiu manter a condenação em primeira instância, elevando o valor da indenização. O acórdão, publicado em março, reforçou a responsabilidade do governo do estado, enfatizando que José estava sob a custódia de órgãos que tinham a obrigação de proteger sua integridade física e moral.
A decisão é um passo significativo na busca por justiça em relação às violências do passado e um reconhecimento de que os erros cometidos durante a ditadura militar ainda reverberam até hoje. Em busca de uma posição sobre o caso, o governo do estado de São Paulo foi contatado, mas até o momento não se manifestou sobre a condenação. O espaço permanece aberto para qualquer comentário oficial que possa ser feito a respeito.





