A decisão italiana ressaltou a existência de “diversos elementos” que levantam incertezas sobre a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. Moraes desempenhou diferentes funções ao longo do processo, acumulando os papéis de juiz e, ao mesmo tempo, de vítima do ato que foi considerado criminoso. A Corte de Cassação destacou que “a insuficiência e ilogicidade da fundamentação” nas múltiplas funções que o ministro exerceu levanta questões sobre a imparcialidade no julgamento.
Essa análise culminou em uma conclusão preocupante para o sistema judicial brasileiro: a atuação de Moraes foi vista como uma violação ao princípio da independência do juiz, provocando uma reflexão sobre possíveis falhas no processo. Zambelli, após sua libertação em maio deste ano, aguarda as consequências desse desdobramento, uma vez que um segundo pedido de extradição ainda está em tramitação na Itália. Este novo pedido diz respeito a uma condenação adicional sobre porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, eventos que ocorreram em 2022, quando a ex-deputada sacou um revólver e perseguiu um jornalista na cidade de São Paulo.
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal e o gabinete de Alexandre de Moraes não se pronunciaram sobre a decisão italiana, deixando no ar as implicações e próximos passos a serem tomados diante dessa situação complexa. A decisão da Corte de Cassação marca um capítulo importante na relação entre as jurisdições italiana e brasileira e suas respectivas abordagens sobre direitos, garantias e a imparcialidade dos julgamentos.
